DESEJADOS

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Quem vai abrir mão?

Eu preciso te escrever, mas parece que agora as músicas falam melhor que eu sobre tudo o que sinto com relação a nós. Como eu sou trouxa, meu Deus! De achar que você me ama e me quer tanto quanto eu. Está na cara que não é recíproco e eu continuo insistindo em acreditar... Eu estou apaixonada e me dei conta agora ou estou realmente iludida? Não sei e não espero que me responda.

Queria que tu estivesses mesmo perto demais. Queria mesmo declarar este amor por onde eu passar. Queria mesmo usar uma aliança na mão direita e poder responder perguntas inconvenientes sobre meu estado civil. Mas esses dias me vi numa encruzilhada quando compartilhei nossa história com uma amiga, que me sugeriu uma solução já conhecida por mim. O fato é que, menino, eu queria que você abrisse mão da sua vida e se encaixasse na minha, mas eu não quero abrir mão da minha vida para me encaixar na tua. Eu não tenho mais idade para abrir mão, para arriscar tanto! Eu já me anulei tanto pelos outros que agora – não por medo, mas precaução – prefiro não arriscar. E acho que cabe a você, ainda tão jovem, a ousadia.

Foi aí que me dei conta que talvez eu não te ame tanto? Será que se eu amasse mesmo eu arriscaria? A vida não é um conto de fadas, não é um livro ou um filme. A vida é real e os tempos são difíceis para arriscar meu emprego, meus estudos, meus sonhos, minha família, meus amigos, minha cidade... Para mudar TUDO por você! É lindo e romântico quando vemos nas novelas, é de chorar de tanta emoção. Mas a vida real não é assim. E fim. Cansei da brincadeira.


Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Eu só quero te ver de novo

Quase um ano sem nos falarmos como antes e, de repente, passei a ver fotos e coisas que me lembravam você. Abri pastas antigas que continham fotos que trocávamos durante nossas conversas e prints que fiz de momentos especiais. Passei a me encher de tanta saudade de ti nos últimos dias... 

Lembrei coisas que compartilhamos, sonhos e problemas, dilemas tão pessoais. E quantos motivos você já me deu, naquela época, para merecer da minha alma um desabafo tão sincero. Um texto, um relato, uma crônica, uma poesia. E eu nada fiz. Que saudade de você! E de quem eu era quando chegava mensagem sua no meu celular. Saudade de rir sozinha numa reunião de família só porque me enviasse um meme. Sabe quantas pessoas me fizeram sorrir esse ano? Não sei. Mas nenhum foi como você. 

Terminei de digitar essa última frase e não faço mais ideia do que escrever. Deixei o cursor piscando na tela e fiquei pensando; eu só quero te ver de novo e te entregar o beijo que fiquei devendo. Após tanto tempo já nem lembramos mais o que nos afastou. Com certeza foram os defeitos em nós, mas agora tudo o que havia de nos afastar foi engolido por tudo o que havia de nos unir de volta. E eu passei o dia me sentindo leve como uma folha que voa e pousa no momento perfeito para o olhar de um fotógrafo. Passei o dia me sentindo inteira, com algo em mim preenchido, antes mesmo de te ver. E refleti que esse tempo foi necessário para me fazer crescer.

Você me incentivou a viver a vida e a primeira coisa que fiz foi te tirar dela como se nunca tivesse entrado. Mas nunca de fato te tirei. Nunca te excluí das redes sociais nem das lembranças. Te coloquei no modo espera como se o destino pudesse ter alguma bondade comigo. E teve! Mas também te perdoo e peço perdão, porque sei que nem sempre o destino é bondoso. Ou foi sorte, ou bênção. E é melhor acreditar na segunda opção, porque tu fosses bênção desde sempre. E espero que para sempre.



Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

domingo, 2 de dezembro de 2018

Princesa às avessas




Impressionante como quando eu era criança e acreditava nas princesas da Disney, mas agora já adulta me parece tão improvável a possibilidade de eu ter um casamento baseado na emoção da espera e na entrega verdadeira.
Já vi e ouvi tantas histórias reais de casais que passaram anos de luta física, emocional, financeira e, sobretudo de oração, em busca da consumação primorosa do matrimônio. No entanto não mais consigo acreditar nisso para a minha vida. Não entra na minha cabeça a ideia de que isso acontecerá comigo algum dia, de que eu conhecerei um homem que será um gentleman, que me tratará como a princesa que o Senhor diz que eu sou, e que me fará ter prazer na submissão. E odeio ser submissa.
Minha alma sente necessidade de liberdade, mas me pergunto se estou buscando-a nos lugares certos. Sendo que é Ele o caminho. É Ele a verdade. É Ele a vida. Por que corro tanto para todos os lados? Eu quero abraçar o mundo com o corpo e nele sinto as dores dessa luta insana, descabida e desnecessária. É só Jesus que eu preciso abraçar.
Será, meu Deus, que eu vou mesmo viver tudo isso que vejo nesses vídeos tão lindos de casamentos? Logo eu, que tenho gritado tanto ao mundo o quanto eu sou livre, o quanto gozo da minha liberdade, e o quanto isso tem muito a ver com não querer casar e ter filhos! Será que eu não quero mesmo ou só estou mentindo para mim? Ou realmente não preciso seguir o padrão da sociedade, de casar, ter dois filhos, um cachorro ou um gato e um aquário na sala do apartamento?
Eu quero viajar, mas tenho medo de ir sozinha. E eu não quero companhia, por causa da louca sede de liberdade, que de certa maneira me aprisiona, me finca os pés no chão e a alma no travesseiro. Eu quero companhia. Mas não qualquer companhia.


Eu quero ver meu noivo chorar de tanta emoção quando eu entrar na igreja. Eu sei, Deus, que faz mais de vinte anos que eu digo que não quero casar na igreja. Que o que eu quero é ter dinheiro pra dar de entrada num apartamento próprio e pra viajar pelo mundo. A minha alma é aventureira, mas o teu Espírito habita em mim. Eu, Deus, sou pequena demais pra controlar tudo isso.
Eu quero que meu noivo recite uma poesia no altar, ou que me cante um louvor. Eu sei, Deus, que acho isso tão brega e cliché, e que o que eu queria mesmo é só ir ao cartório assinar o matrimônio e depois tomar um sorvete de doce de leite. A minha alma tem sede de coisas ousadas, porém principalmente as simples. Será que é por que me dá preguiça sonhar alto demais? Sendo que o trabalho que me dá pra sonhar com um sorvete que posso comprar num dia qualquer é o mesmo trabalho que me dá pra sonhar com um banquete, uma mesa com os docinhos mais finos que eu nem faço ideia que existam.
Uma amiga me disse que eu sou uma pérola, como ela, a quem o Senhor já lapidou e presenteou com o milagre o qual ela tanto almejava. Eu não me sinto uma pérola e eu nem sei mesmo o que é que eu almejo. Porém isso me traz a memória esta primorosa frase do Lewis Carroll; “se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve.”
É um texto meio sem ponto final. Vou passar muitos dias para absorver todos os pensamentos e sentimentos que estão me vindo agora. É meio repugnante pensar que eu sou princesa, mas se Deus está dizendo, quem sou eu para contradizer? Dá para ser princesa do cabelo colorido e com tatuagens? Dá para ser princesa pelo avesso?





Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O quarto de Aline

sábado, 1 de dezembro de 2018

Perto demais


Não recordo o exato momento que tomei consciência do amor que sentia por ti, nem do momento que o declarei pela primeira vez. Mas recordo inúmeros momentos que a tua simples existência me fez feliz. Inúmeras vezes que a lembrança de ti me fez sorrir no ônibus, pagando uma conta no computador, ou descendo a escada rolante do shopping. Parafraseando Los Hermanos, até quem me vê na fila do pão, sabe que eu te encontrei.
Mas talvez você, o protagonista do meu amor, não saiba. E não sei se tenho coragem de dizer e de contar tudo o que me levou a te amar tanto a ponto de sofrer horrivelmente com os meus próprios erros nesse relacionamento estranhamento recíproco, mas não oficializado. Por isso escrevo.
Eu te amo, meu menino. E não sei se posso dizer o cliché de que eu daria tudo para voltar três anos na nossa história e te declarar esse amor. Primeiro que eu ainda não te amava. Segundo que eu não era tão segura de mim. Terceiro que eu hoje compreendo que naquela época não daria certo pelos mesmos motivos que hoje é você quem não quer nada sério.
Não que não levemos a sério esse caso de encontros esporádicos e convenientes, mas tenho cada dia, semana e mês, mais necessidade de oficializar a nossa união. Sei que o amor é recíproco, mas há necessidade em mim de gritar ao mundo o quanto te amo, independente da distância, das nossas tantas diferenças... É em você que penso quando vejo nas redes sociais um post romântico ou divertido. Sempre quero te marcar. Eu queria poder postar toda semana aquela nossa foto num bar da cidade. Eu queria poder fazer textão, gravar uma live, ou até mesmo colocar nosso amor num outdoor.
Eu te amo, meu menino. E me arrependo de todas as vezes que te deixei mal ou que, ainda que você não tenha tomado conhecimento, eu tenha feito algo que arranhou a preciosidade do que sentimos. E eu fiz, viu. E doeu em mim. Cortou aqui dentro as lembranças boas do nosso amor como se fosse você mesmo cortando fotos e páginas da nossa história, cortando nossas cartas românticas nunca impressas e nem mesmo escritas.
Eu te amo, meu menino. E me arrependo de um dia tê-lo afastado da minha convivência. Agora tudo o que mais quero é te ter cada vez mais perto, perto demais. Porque já não penso mais em ninguém além de ti, seja quando ouço um sertanejo, um pagode tipicamente brasileiro, ou o romantismo franco-italiano de Carla Bruni. Toda música te traz aos meus pensamentos, seja na idealização de um reencontro ou na lembrança dos que já tivemos.
Eu queria ter te abraçado tão mais apertado naquele Janeiro! Ter te beijado os lábios e acarinhado os cabelos assim que te vi naquele auditório quase vazio. Queria ter ido embora contigo naquela noite, mas tu não eras meu. E tudo bem se ainda não é, mas pelo menos agora te tenho. E isso é um sentimento tão miserável de mendigar migalhas de amor... São migalhas o que temos nos dado?
Eu não queria ter ido embora sozinha daquela baladinha adolescente. Entrar no táxi foi como se te desse adeus pra sempre, porque podemos até fazer planos, mas eu temo tanto o futuro. Você é a calma que me falta, e me transborda. Você é a fé em dias melhores, mesmo quando os teus não estão nada bons. Tão longe de mim, mas tão perto!
Outro dia chorei no ônibus. Eu te contava as novidades ruins da semana, eu precisava tanto de um abraço... Queria poder ter ido ao teu encontro, ter acordado em teus braços. Porém me contentei, em alegria, com tuas mensagens de amor e ânimo. Você me faz um bem que me faltam as palavras para concluir o que te escrevo agora, mas certamente desejarei mais um milhão de vezes te escrever, te declarar esse amor.
Esqueça, por favor, daquele dia que falei o quanto é boa a conveniência do nosso relacionamento aberto. Eu estava bêbada. E eu te amo demais pra continuar assim de um jeito tão natural. Já somos tão um do outro! Enquanto você tem ciúmes de quem um dia foi meu, eu me entristeço com a possibilidade de outra ser sua, porque já não consigo mais passar um só dia sem que você seja o motivo do meu riso leve e solto.
Quero compartilhar minhas leituras... Hoje vi um filme e eu queria estar em teus braços. Dancei sozinha no meu quarto. Queria estar ao teu lado... Você me lembra café e vinho, noites quentes e dias frios. Chegue logo, por favor. Essa espera me cansa, me dá ânsia. E venha pra dizer que veio pra ficar; nesse lugar e na minha vida. 


Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O quarto de Aline

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ao jornalista do ônibus 321


Oi, moço do ônibus. Faz tempo que não posto em meu blog, mas hoje te vi escrevendo e, mesmo tímida que sou, ousei falar com você. Uma pena que a timidez me limitou a abrir a boca e iniciar assunto tarde demais, quando o ônibus já se aproximava do ponto em que eu iria descer.
Eu queria tanto ter conseguido ler aquilo que você escrevia em um papel de pauta azul com o cabeçalho da Amil. Eu queria tanto ter tido mais coragem de conversar com você e te contar que também escrevo e que fico encantada quando, na correria do dia a dia, vejo alguém lendo ou escrevendo em um ônibus. Eu queria tanto não ter tirado meus livros e marcadores da minha bolsa quando a arrumei ontem à noite... Mas nada aconteceu como eu de fato gostaria.
No entanto, jornalista lindo que escrevia no ônibus da linha 321, sinto-me feliz por ter conseguido, ao menos, te falar o nome do meu blog. Espero ansiosa a sua visita aqui em meu quarto de letras. Espero com tanta esperança que fiz esse texto pra você. E espero que me deixe um comentário com seu contato, que me envie e-mail, que me siga no Instagram ou outras redes sociais. Dá-me sinal de luz!



Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O quarto de Aline

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