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domingo, 1 de junho de 2014

De Cabrobó aos States


Casa na margem do Rio São Francisco, em Cabrobó-PE


* Texto abaixo escrito por mim em 2004, aos 15 anos. Nesta época eu só havia ido a Cabrobó uns 6/7 anos atrás e não tinha muitas lembranças da cidade, mas por ter uma estranha saudade de ir lá, resolvi escrever algo que mencionasse a cidade onde minha mãe nasceu.

De Cabrobó aos States

Júlia, menina bonita, charmosa. Saiu em capa de revista e jornal, em um anúncio policial. Tinha tudo para vencer na vida, mas de repente enlouqueceu e foi ser bandida. Em todos queria botar moral, ela se achava a tal. Sua família achava lhe conhecer, mas o caso é que não lhe viram crescer.

Saiu de casa aos quatorze anos para estudar no exterior, se juntou com uns malandros e para a casa deles se mudou. Não quis mais saber de estudar e para a “casa de estudantes” não quis mais voltar.

Conheceu Marquinhos do motel, e Jurandir sequestrador. Foi lá no motel do mineiro que ela dormiu com o João Atirador.

Foi aí que a Júlia se deu mal, apostando grana no Jogo de pinball. Ficou lisa, quebrou geral, enlouqueceu e quase se jogou em um canal. Aí Júlia ficou sem saber o que fazer quando descobriu que agora tinha um bebê.

Júlia arrependida da vida, daquela terra não quis mais saber. E na volta pro seu país acabou conhecendo Eduardo Diniz, que lhe prometeu a felicidade trazer. Porém apesar de a Júlia já ser maior de idade, ela uma menina ingênua que adorava ir à Cabrobó comer geleia de mocotó e rever sua cidade.

Enfim Júlia se juntou com o Diniz e fazer o que prometeu ele não quis. Levou Júlia para a favela da Rocinha e ela aprendeu a tocar pandeiro lá no Rio de Janeiro, assim que chegou ao país. Ela não sabia que Eduardo já foi um padre disfarçado, que raptava as mocinhas da linha do trem e ali mesmo fazia o xenhenhem.

Júlia ficou sabendo do caso das mocinhas, teve uma recaída na sua loucura e a levaram para sua terrinha. Não era uma “terrinha”, era um “terrão”, onde sua mãe matava porco e seu pai tocava baião.

Sua mãe quando a viu foi na quitanda do Sr. Gil. Ficou tão horrorizada que a coitada fugiu. Júlia, emocionada, correr atrás não conseguiu. Passou em sua casa e novamente toda a família ela viu.

Pedro, trabalhador, quis saber de quem foi a culpa de que não lhe educou. Esqueceu-se que naquela época era um moço cachaceiro, e que agora já era “sinhô”, que naquela época não era um pai educador.

Júlia contou tudo direitinho, que lá nos Estados Unidos não usava “radinho”. Contou que lá era a moda do computador, aparelho de som e aspirador. Sua família era rica, mas não conhecia essas modernidades, pediram que ela contasse tudo com detalhes. Mas a coitada da Júlia não queria ver a família sofrer e pulou a principal parte da história. Não mentiu, apenas não contou pra valer.

Já se passara quatro anos, Júlia com suas duas filhas sem os pais para dar amor. A mais nova era filha de Eduardo Diniz e a mais velha era de João Atirador. Não sabiam quem eram seus pais, não tiveram esse valor.

Mas de uma hora pra outra o João apareceu lá na terra do pau comeu, enrolando umas conversas que da menina mais nova ele era avô. Júlia não entendeu que mera coincidência aconteceu! Mas o Pedro não quis saber, pegou um pau para bater no desgraçado do seu João que veio com uma embromação. Oxente, quanta confusão no meio do matagal, assustando a plantação. Tudo culpa de uma mulher que foi menina e que agora está enlouquecida? Ela fugiu deixando as filhas.

Coitada da Júlia. Endoidou, virou bandida e agora está em capa de jornal e revista dando entrevista.




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