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terça-feira, 3 de abril de 2018

Na cor da pele

 IMAGEM RETIRADA da pág: eus-r em 20/11/2013

Sou negra? Não moço, eu não sou! Sabe por quê? Porque na minha certidão de nascimento está morena clara...

Aliás, cor essa que há pouco descobri que foi inventada. Engraçado que hoje ao assistir uma palestra fui questionada, ou melhor, me questionei com uma frase que a poeta falou: “quando me descobri negra...”

Nessa hora me deu um estalo, e me veio a cena do momento exato que me descobri negra. Não foi algo natural, fui taxada na cor e no cabelo ‘ladra’, ou melhor, fui de inocente à culpada por um crime deduzido e julgado por alguém que se sentia superior.

- Menina, o que você sentiu?
- Senti revolta, e uma vontade enorme de gritar, sair “dali” e ligar para polícia,
- Você ligou?
- Não moço... Aconselharam-me a ficar calma. Porque no final ‘não era nada de mais’. Sabe moço, eu só queria trocar um livro que me foi vendido errado.
- E no final você trocou esse livro?
-Não. Levei de volta pra casa. E chegando em casa me vi com algo desnecessário, pois era um livro escolar que eu não iria usar, já que eu estava em uma série acima.

Moço, até então o preconceito pra mim era algo tão distante... Quase inexistente. Sabe o país do futebol, onde a maioria dos melhores jogadores é negra? Pois bem, é repleto de PRECONCEITO! 

E eu sei disso, na cor da minha pele. O engraçado é que anos após a escravidão e em pleno século XXI, ainda nos deparamos com esse conceito que não se forma nunca, moço. Pré não é um sufixo que indica anterioridade? Pré..........Conceito;

Pré.......conceito;
Pré....conceito;
Preconceito;
CONCEITO.

Não entendo, moço... Será que essa conclusão de conceito não chegará nunca ao fim?


Texto escrito pela colunista Nalva Martins

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