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terça-feira, 4 de setembro de 2018

A parada errada e o perfume de estudantes


Já estou na faculdade e a minha mente está em movimento frenético. Impossível competir com sua velocidade, mas não me custa tentar. Custa?

Talvez custe muito, pois o teclado não ajuda. Faz barulho e incomoda quem por perto está. E incomoda a mim, que não gosto de incomodar. A cadeira é muito boa, mas também não me favorece. Por Deus! Por que é tão difícil encontrar, fora de casa, um bom lugar para escrever?

Mas a danada da inspiração só quer me vir quando estou pela rua, sobretudo de ônibus, que é, para mim, o melhor lugar para pensar. Minha família não gosta de jeito nenhum quando eu não saio de carro, mas o que eu posso fazer se nasci escritora? Deixar de andar de ônibus é, para mim, como ser um Auxiliar Administrativo que não vai ao escritório. Ou como um agricultor que não visita outras terras. E foram muitos pensamentos para hoje. Não recordo o dia que eu pensei tanto, tanto, e numa velocidade tão forte e intensa como nessa tarde quase noite. 

Eu comecei pensando no que já vinha pensando antes de sair de casa. E desses pensamentos não falarei agora. Outrora você, leitor, reconhecerá tais pensamentos noutros textos. Ou não. Enfim. Eu comecei pensando no quão maravilhoso foi o dia, que não foi tão maravilhoso, mas que me fez passar o hidrocor em todas as atividades que me comprometi comigo mesma que eu realizaria antes das 17hs. Eu consegui, então poderia dizer que o dia foi maravilhoso, dado vista o quão raro é de isso acontecer. No entanto, pensei nos atrasos de poucos minutos causados por não encontrar meu cartão de passagem, por não conseguir fazer uma ligação e por ter de passar na padaria para pagar o pão que meu pai comprou mais cedo. 

Cheguei ao ponto de ônibus e já escurecia. Não foi assim que planejei. Será que o ônibus demoraria? Que viria lotado e eu não teria onde sentar para ler Clarice Lispector? Chegou e veio vazio. Sentei no lugar mais apertado, mas tudo bem. Agarrei-me ao livro e adentrei nos escritos de tal forma que vez ou outra, ao olhar para fora da janela, assustava-me com a possibilidade de já ter passado, e muito, da parada que eu desceria. Mas não passava. Não passava. Nem perto estava. Mas eu adentrava nos escritos e de tempo em tempo pegava-me assustada com o que acontecia fora; do livro, do ônibus e de mim. Tentei relaxar e notei que me excedi no relaxamento. Tentei prestar atenção ao momento de descer e, logo, logo, eu desceria.

Foi num pulo que certamente o rapaz bonito que estava na fila de descida estranhou. Como que alguém consegue descer do ônibus ainda com os olhos cravados no livro? Só eu, meu Deus, para conseguir tal coisa? E fiquei grata por isso. Por conseguir sair do ônibus sem perder uma vírgula da minha leitura. Mas, calma. Desci na parada errada. Tanta agonia e tentativas de ter atenção... Se eu pelo menos houvesse descido uma parada depois, mas não. Desci uma antes. 

E me culpei por isso. Martelei meu juízo com isso. Não apenas teria que andar mais, mas, o principal, é que por mais tempo ficaria sem acessar o livro. E eu queria lê-lo por demais. Degustar cada fragmento de texto. Clarice quando me toma me rende. E eu estava presa. Eu estava presa e solta por aí, a andar pela Boa Vista em passos apressados como se a calçada por onde eu passava tivesse dentro da minha cabeça, e não abaixo dos meus pés. 

Até que, uma visão me parou. Um cheiro me preencheu. Meus pensamentos saíram do livro, que passeava em minhas mãos, e foram ao encontro da avenida e seus encantos. 

Vi um rapaz com piercing no rosto e cabelo amarelo. Praticamente idêntico ao Alex (Miles Heizer) da série 13 Reasons Why. Deu-me forte vontade de abraçá-lo, de eu ser adolescente de novo. Logo depois vi uma lanchonete de coxinhas. Que vontade de comer! Pensei no sanduíche que meu pai preparou enquanto eu me banhava para sair.

Meus passos tão ágeis não chegavam nem perto dos meus pensamentos. Eu diria que foi esse o momento exato que me fez escrever esse relato. Foi aí, bem nesse momento, que eu andava rápido e leve como uma pena que voa que decidi escrever isso aqui. Um cheiro me paralisou como quem coloca a cena em câmera lenta. Perfumes de estudantes, foi o que anotei no bloquinho da minha mente para depois eu me lembrar. E das pipocas, complementei. Logo depois veio o rapaz com cabelo em corte moicano e topete, parecendo um mistura de Júnior Lima e Elvis Presley. Eu queria lembrar com exatidão o que foi que pensei depois dessa cena... Sei que nesse momento adentrei o estacionamento da faculdade e senti a leveza da segurança que é não estar tão vulnerável à violência da rua. Sempre sinto isso quando chego.

E nesse misto de sentidos – cheiros e visões – e pensamentos, e paz, e tudo, notei uma mulher caminhando apressada ao meu lado. Suas passadas combinavam com as minhas, mas não nos conhecíamos. Estávamos juntas, mas sozinhas. Porém, de fato, nós nunca estamos sós se a nossa cabeça está em nosso corpo. Se a mente nos acompanha, para o bem ou, inevitavelmente, para o mal. 

Eu precisava chegar logo. Eu precisava chegar urgentemente e transferir para o papel ou para a tela tudo isso que vos conto. E quase me atropelo em mim mesma e nos meus pensamentos. E ia mesmo ser um atropelamento. Eu ia perder a parada do ônibus, quem dirá a passada dos pés. Calçava um tênis de corrida, de praticar exercícios. Não conseguia frear nem a pau.


Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Uma coisa leva à outra

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Por volta das 16 horas de uma quinta-feira qualquer, dessas que o sol continua se pondo como antes – maravilhoso, por sinal – os ônibus estão cheios e os carros estão vazios, resolvo sair de ônibus depois de tantos meses acostumada a andar só de carro, o dia inteiro. Caminho uns 300 metros até chegar à parada de ônibus e desde então, inúmeros pensamentos desconexos, mas relacionados entre si, se formam em minha mente.
Já cheguei onde havia de chegar, mas enquanto não chegava, esses pensamentos multiplicavam-se em minha mente numa velocidade incontrolável e ali naquele ônibus cheguei às insanas conclusões ‘meditacionais’:

terça-feira, 4 de abril de 2017

Conheça seus limites para não ser morno

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Conheça seus limites físicos, mentais, emocionais, e respeite-os. Desrespeitar os próprios limites nos trás doenças e frustrações. Seja esse um desrespeito para mais ou para menos. Para mais: quando você quer ultrapassar seus limites, fazendo além do que é possível pra você. Para menos: quando você não acredita que pode ir mais longe e se acomoda a estar onde está. 

Em tudo o que fizer, dê o máximo de si. Muita gente usa essa frase na intenção de dizer para que a outra pessoa ultrapasse seus próprios limites, mas prefiro usá-la como ela realmente diz: "o máximo", e não mais que isso. Nem menos, nem mais. 

"Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca." 
(Apocalipse 3:16) 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Seu pensamento é positivo ou impositivo?

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Venho me questionando sobre o que é pensar positivo. Tenho uma mania e percebi que é sim uma mania, de dizer, a respeito de quase tudo em minha vida: “vai dar certo!”, mas será mesmo que vai?

Por que vai dar certo? Se já vai dar certo, porque a gente levanta e vai fazer as coisas ao invés de só ficar esperando dar certo? Quando é que a gente deve levantar e quando esperar? Será que não há um limite entre o pensamento positivo e o impositivo?

Todo mundo sabe bem o que é o pensamento positivo. Esse pensamento que nos vêm cheio de motivação, ânimo, e a estranha emoção da certeza de que algo dará certo, mesmo antes de acontecer. É somar a fé com a esperança, resultando em querer fazer acontecer.

Mas e o pensamento impositivo?

domingo, 15 de janeiro de 2017

Nada melhor

É sábado à noite, Janeiro, e eu tenho 28 anos. Poderia estar com marido e filhos dormindo na minha casa, ou poderia estar solteira mesmo, mas viajando e gastando uma grana em Tamandaré, Porto de Galinhas, Itamaracá ou fazendo outra viagem. É o tipo de coisa que pessoas da minha idade costumam estar fazendo. Mas sou uma solteira que ainda mora com os pais e isso não é nenhum defeito, mas há tanta gente se deprimindo com esse tipo de situação... E estou em casa. Bem. Feliz.

A insônia chega e é normal, já que dormi bastante durante o dia, e eu estava em meu quarto estudando, lendo e revisando. Só que é férias e eu queria mesmo é estar curtindo. Ouço uma música boa, abro a janela. É quase meia noite e acordes de violão invadem meu quarto. Eu vejo a música entrando, eu sinto. Olho pra fora e as árvores estão dançando. Eu só sei sorrir. Uma alegria estranha me domina e logo após, uma breve tristeza chega também. Ah como eu queria estar agora numa casa que tivesse essa animação, com essa música tocando e uns petiscos em um pratinho, uma coca gelada, espetinho.

Só que ficar invejando a alegria da vizinhança não me faz ficar melhor. Se a música está boa e me invade a alma, não há porque resistir esse momento. Esse toque, esse tom. Vou à varanda, a música me chama e me leva. A música me pega... E eu me sinto levitar nas notas das melodias. A água da piscina brilha, a lua está tão bela. Porque ficar no quarto se posso admirar essa tela? A tela real, infinitamente melhor que as virtuais.

Armo a rede. Pego meu lençol e almofadas. Estou agora deitada, admirando a beleza desse céu cinzento e nublado. Está frio e a música me aquece... Nada mais descreve esse momento. Nada melhor que isso eu poderia viver agora. Eu poderia estar em qualquer lugar, mas estou bem aqui, onde acho mesmo que eu deveria estar.



Uma poesia de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline
15/01/2017

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Hoje eu só queria tomar um café


Queria ir pra casa, arrumar a cama, tomar um banho quente, lavar o cabelo, vestir meu pijama... E tomar um café, forte. Pra me acordar da sonolência que a tristeza junto ao cansaço me causou. E, no entanto, eu queria dormir. Talvez dormindo eu pudesse viver tudo o que sonho acordada. Talvez dormindo eu pudesse realizar algo que não chega a ser um sonho, mas é o desejo natural de todo alguém: ter alguém.

Depois de trabalhar por tantas horas seguidas, dividindo meu horário em diversas atividades, meu corpo só pede cama. Normal. Mas sempre que deito, vêm à tona em minha mente todo o sofrimento, toda a dor acumulada, toda angústia do passado, do presente, e o medo do que há por vir. E é aí que eu entendo porque eu trabalho tanto! Não é só pelo dinheiro. Não é só por amor. É por medo. Medo de viver, medo de me permitir a felicidade. Medo da ociosidade. Tempo livre passou a ser sinônimo de lágrima. E é por isso que agora todo mundo acha que estou sempre feliz... É por falta de tempo pra mostrar que estou triste. Porque na verdade o que temo é a tristeza, no entanto ela me persegue com a sensação de que quanto mais eu buscar a felicidade, mais triste serei.

Porém, depois de dias de sorrisos, hoje eu só queria chorar... Eu só queria tomar meu café e chorar. E deitar. E dormir chorando, orando. E questionando a mim e a Deus, mais uma vez, se eu não mereço ter alguém. Religiosos dizem que não é certo questionar a Deus, mas eu prefiro, infinitamente, questioná-lo em minhas orações, do que não orar, não buscar conforto no único que pode verdadeiramente me confortar e me dar a paz que excede todo o entendimento.


22/09/2016

Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A necessidade de companhia

Ás vezes penso que eu gostaria de não ter mais que bater sempre na mesma tecla, mas há assuntos que precisam ser constantemente retomados e repensados. Como é a questão da diferença entre ser sozinha e ser solitária... 

Ontem, voltando pra casa, ouvia uma música do Tiago Iorc e fiquei presa em um trecho da letra.

“E só o tempo, só pra descobrir
Se a liberdade é só solidão 
E só o tempo, só pra descobrir
O que vai ser” 
Liberdade ou Solidão - Tiago Iorc



Relembrei situações que me instigaram a escrever muito sobre o assunto, mas não havia escrito o bastante. Com o tempo, deixei pra lá... Mas não se pode, nunca, deixar “pra lá” o que insiste em sair da gente. Textos, crônicas, poesias insistem em sair de mim! Preciso continuar gritando a diferença entre ser sozinha e solitária! Parece que muita gente ainda não entendeu isso e surpreende-me que tais pensamentos venham de mulheres, e não de homens. 

Há uns meses, este ano, fui comemorar o aniversário de uma amiga de muito tempo. Sendo natural que, com o tempo, o nosso convívio constante tenha diminuído e o nosso círculo de amizades tenha mudado totalmente, fui sozinha. Com quem eu iria se não fosse só? Não tenho namorado nem sou casada. E não sou criança, para precisar ir acompanhada de um adulto. Eu sou a adulta da história. Portanto... 

Havia necessidade de que eu fosse, apenas, se tivesse uma companhia para ir comigo? Não! Primeiro que eu estava de carro, segundo que eu tinha dinheiro caso fosse voltar de táxi, terceiro que eu sei pedir carona quando preciso, e quarto – e mais importante – que eu sei ser sozinha. Eu SEI SER SOZINHA! Está claro isso ou precisa desenhar? 

Pois tem gente que nem se eu desenhar vai entender. 

O fato é que eu passei aquela tarde no aniversário do meu sobrinho, depois fui pra casa, tomei meu banho, me arrumei, ajeitei meu cabelo, cuidei das minhas unhas e fui linda ao aniversário da minha amiga. Linda não no sentido de beleza, mas linda no sentido de “eu estava segura de mim e da minha liberdade de ser quem sou”. Mas chegando lá... Senti-me deslocada de tudo e de todos por questões que não vêm ao caso agora, mas eu estava bem comigo mesma. Eu estava bem. Fiquei comendo, bebendo meu refrigerante e observando tudo o que acontecia ao meu redor: as conversas; as risadas; os olhares; os abraços; as danças; o que comiam e bebiam... Mas senti a necessidade de conversar com alguém. Se for pra estar em um local com outras pessoas, que seja pra conversar, e não pra me isolar. Não sou uma pedra. E solidão é isso, sentir-se só em meio a tanta gente. 

Levantei-me e fui puxar assunto com pessoas que eu conhecia. Logo perguntaram-me: 
- Veio com quem? 
- Com ninguém. 
- Ninguém? 
- Sim. Com ninguém. 
- Veio só? 
- Sim, vim só. 
- E cadê o namorado? 
- Eu não tenho namorado. 
- Ah. Uma menina tão bonita... – Por que todo mundo acha que beleza atrai relacionamentos? – E por que veio só? 
- Porque... Hum... É... – Fiquei pensando em como responder sem parecer grossa, mesmo com vontade de ser – Eu não tinha quem trazer. E acho que não havia necessidade. 
- E não tem medo? 
- Medo? De quê? 
- De sair só. 
- Eu não! Oxe! Não mesmo. – Não me aguentei, tive que rir disso. Foi até bom descontrair ao ser irritada por peguntas idiotas. – Medo de quê? 
- De sair só. É perigoso sair só. Vai voltar só? 
- Ah eu já estou MUITO acostumada com isso. Estou de carro. Saio só, volto só. Só deixo de sair se eu não quiser. E só vou embora quando quero. 
- Nossa! Parabéns. Mas já é muito tarde... 
- Eu sei! 
- E sua mãe? 
- Ah ela está bem, obrigada. - Fiz que não entendi o motivo da pergunta.
- Ela não fica preocupada não? 
- Ah, fica sim. Normal, né?! Ainda moro com ela. Assim como também me preocupo quando ela está fora. É normal. 
- Mas ela não reclama com você? Que coisa boa, né... 

Nesse momento tive que dar um jeito de sair do assunto, da conversa, da mesa em que estava. Porque a vontade era tirar a minha cara de simpatia e colocar a minha cara de irritação e falar o que venho a falar apenas agora, aqui, como um desabafo de milhares de mulheres adultas, solteiras, que ainda moram com os pais: 

- Eu já sou adulta! O fato de eu ainda morar com os meus pais é apenas uma fatalidade financeira vivenciada inclusive por pessoas da sua família. E, ainda que eu pudesse morar só, mas quisesse continuar morando com eles, ninguém tem nada com isso e isso não me faz ser menos adulta do que eu sou. O fato dos meus pais se preocuparem comigo é normal, primeiramente por serem meus pais, e depois por eu morar com eles, mas essa preocupação não deve me aprisionar física e emocionalmente como se eu fosse uma criança indefesa, porque não sou! Sou adulta o bastante para ter a liberdade de ir e vir, dentro das leis da sociedade, de onde, para onde e quando eu bem entender, acompanhada de quem eu bem quiser, OU NÃO, se eu não quiser. Eu tenho a liberdade inclusive de decidir se eu quero namorar agora, mês que vem, ano que vem, ou sei lá quando, desde que eu tenha com quem namorar, porque namorar sozinha é meio impossível, né?! E também se eu quiser nunca mais namorar, viver pra sempre solteira, ou se quiser namorar sem declarar isso a público, tenho o direito. Eu tenho o direito a tudo o que eu quiser, dentro das leis que regem a constituição federal e a minha convivência familiar. Eu tenho direito a decidir no que quero trabalhar, se futuramente vou querer ter filhos e quantos e, inclusive, o direito de vestir o que eu quiser, independente do horário. Mesmo que digam que é perigoso usar determinadas roupas em determinados horários... Acredito nisso e realmente procuro ter cuidado, mas tenho o direito de escolher SIM! Eu tenho direito de ser quem sou e fazer o que eu quero, falar o que eu quero, e estou cansada não apenas de pessoas como você, que acreditam que a mulher tem que estar sempre acompanhada, BEM ACOMPANHADA, para ser feliz e viver bem. Estou também cansada, talvez mais ainda, de pessoas que vivem como vivo, mas não exercem o direito de ser quem são como se devessem satisfações a seja lá quem for. Eu sou livre! E tenho o direito de escolher se o meu modo de viver é liberdade ou solidão. 

“Livre, era o que ela mais queria ser
Livre, pra ir e vir e ser o que quiser
Quando quiser e se quiser” 
Liberdade ou Solidão - Tiago Iorc

Sem mais. 
Gracias. 
Xêro da tia Lili pr'ocês :* 

--> Próximos textos seguindo o mesmo assunto: 
* Qual é o meu tipo?

24/08/2016


Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

domingo, 21 de agosto de 2016

Eu posso ressuscitar pessoas

Eu descobri que com o meu dom das palavras tenho poderes mágicos. Tenho o poder de escrever sobre saudade de tal modo a senti-la cortar a alma ainda mais do que corta quando sinto-a antes que, em palavras, se traduza o intraduzível. 

Há dias a saudade que sinto tem sido extrema, além do anteriormente imaginável suportar. Talvez eu não esteja mais aguentando... Dói não ter mais por perto o passado e quem fez parte dele. Dói não ter mais a oportunidade de reviver o que vivi e de viver o que não me permiti viver ao lado de pessoas que partiram para a eternidade. Dói, mas eu tenho dons. E entre tantos, tenho o dom de eternizar o que não foi eterno, mas que, contraditoriamente, estará eternamente em minha mente e coração. 

Eu posso ressuscitar pessoas!!!!

Eu sou alguém extremamente emotiva e apaixonante, mas com uma dificuldade enorme de expressar alguns sentimentos com relação a algumas pessoas. De modo que quando falo de saudade, imagina-se que falo de um alguém que foi amorosamente especial, alguém que eu tenha almejado viver uma história de amor.

Não tenho saudade de uma história de amor que não vivi. Tenho saudades de pessoas. Sinto FALTA! De pessoas que, acho, muitos dos que convivem comigo não imaginam o quanto sinto. Mas sinto exorbitantemente. 

Sinto falta. Falta que sufoca e que me grita: "VOCÊ PODE RESSUSCITAR PESSOAS!" Então eu descobri, com esse sufocar, que o meu alívio se dará quando eu escrever as tais histórias. As vividas e, principalmente, as não vividas.

Sinto falta da minha avó paterna. Das vezes que a vi caminhar no corredor externo de sua casa, fazendo suas orações. Sinto mais falta das vezes que eu NÃO disse: "te amo, vovó." E das vezes que eu não penteei seus finos fios de cabelo grisalho. Sinto falta do barulho que fazia o arrastar da sua sandália quando caminhava da cozinha até a sala. Sinto mais falta das vezes que eu NÃO disse: "vovó, vamos caminhar comigo? vovó, quero passear com a senhora." 

Sinto falta dos meus tios que já se foram. Das vezes que brincavam comigo e me faziam rir descontroladamente. Sinto mais falta dos abraços que NÃO dei, das palavras bonitas que NÃO falei. Sinto muita falta.

Sinto falta dos meus padrinhos. Das vezes que ia visitá-los e ganhava muitos pompons de cabelo que madrinha costurava pra mim, e bombons que padrinho comprava pra me agradar. Sinto falta da ânsia que sentia quando acabava Agosto e eu tinha certeza que no 7 de Setembro eu iria visitá-los, na Boa Vista, enquanto via o desfile passar. Sinto mais falta das vezes que eu NÃO fui, podendo ou não, independente do motivo de não ter ido. Setembro mudou o sentido depois que cresci. Sinto não ter tido coragem de dizer ao meu padrinho o quanto ele me fazia falta, por não termos sido tão presente na vida um do outro, diante das coisas da vida.

Sinto falta dos meus primos. Sinto falta das viagens nas férias e dos momentos maravilhosos em São Caitano e Caruaru. Sinto mais falta das vezes que eu disse: "Vou!", mas NÃO fui. Sinto mais falta do que adiei como se eu tivesse tanta certeza do amanhã... Tão incerto amanhã!

E sinto falta de momentos e sentimentos vividos com pessoas que ainda vivem, mas que a frieza da vida adulta me enche de orgulho e, as vezes, até, um pouco de soberba. Eu, tão calorosa, tão emotiva e apaixonante, tão poeta, sou humana. Tão quente, sou fria. Tão cheia, vazia.

E ao mesmo tempo transbordante. E ao mesmo tempo congelante num gelo que queima num sentido inverso dentro do meu ser. Tão estranho e difícil descrever...

Nunca deixe pra amanhã. Se ama hoje, ame hoje; viva hoje; diga hoje; ligue hoje; e envie cartas, mesmo que essas demorem pra ir pra voltar. Escreva cartas. Elas falam mais do coração enquanto as mensagens da vida tecnológica têm um "Q" de banais.

Viaje. De preferência não para conhecer locais, mas para reencontrar pessoas. É delas que sentirá falta no futuro. O lugar é só um detalhe.

Não guarde mágoa, nem de si mesmo e do que tem colhido no presente. Peça perdão, perdoe e perdoe-SE. 

Não lamente o que não deu certo. Geralmente nem tudo dá, mas tudo que vivemos há um porquê e nos mostra alguma lição. 

Não acredite piamente nos livros de auto-ajuda. Não vão mudar a sua vida se você não tomar alguma atitude. Feche o livro e abra as asas. Voe.

E siga voando, mas parando constantemente para tomar fôlego e pegar impulso. É nesse momento que você vai abraçar, amar. No fim, a gente não é o que conseguiu comprar e ter. A gente é o que conseguiu SER, VIVER, APRENDER e DAR. Então não viva de dar desculpas pra tudo. Analise sua vida e não deixe pra depois aquilo que depois não dará pra ter de volta.

Sinto falta, mas passou. Mais ficou.

19/08/2016

Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Tudo meio bosta!


São 21:27hs de uma segunda-feira de Julho e enquanto passo o ferro em algumas roupas, penso na vida que tive e na que levo agora. Não cheguei a pensar na que quero ter. Não é o mérito agora. 

Enquanto penso, me entristeço. Acho tudo meio bosta! Que os puritanos me perdoem a baixeza do meu texto, quero apenas desabafar aqui no meu canto, no meu quarto, no lugar especial para as minhas palavras. Não faço a mínima questão de ser lida, eu sou quero desnudar a minha alma por um ângulo diferente do que o habitual.

É verdade que ando cansada e cansando de tudo. Às vezes até as músicas que mais gosto de ouvir estão me cansando. Até as coisas que mais gosto de fazer estão me "tediando". Não sei ao certo em que momento tudo virou tédio, mas hoje já deu pra mim. Precisava vir aqui. Precisava gritar.

O que dói hoje é essa tentativa insana de descobrir como e porque tenho o poder espetacular de afastar as pessoas. As quero perto de mim, mas elas me cansam. Aí eu me afasto e quando sinto falta, é tarde demais para "desorgulhar". Não é que eu não tenha percebido isso antes, mas acho que nunca estive tão fria como ultimamente, e olhe que nem estou com depressão, SP¹ ou qualquer doença psicológica. Não que eu saiba! Talvez eu tenha que parar de achar que os meus defeitos são sintomas de alguma doença, como se eu tivesse com a síndrome da coitadinha. É, inventei isso agora. Quem se interessar, pode patentear essa síndrome. Porém é preciso eliminá-la da vida. Da minha e da de quem está me lendo agora.

Enquanto passava ferro em minhas roupas, assistia um filme e meu coração palpitava numa ânsia apressada de desfalecer meu corpo à mesa, nesta cadeira, para escrever. Como se escrever fosse falar comigo mesma diante do espelho, Por isso estou aqui, para tentar sentir alguma paz. É, eu sei que é em Deus que devo buscar paz, mas é escrevendo que me encontro. É na escrita que me busco, busco a essência perdida de mim.

Recordava um encontro inesperado sexta à tarde no Centro de Convenções de Pernambuco (CECON-PE). Passeava na FENEART com uma prima em comemoração ao seu aniversário quando, na tentativa de descobrir onde uma senhora de uns cinquenta anos havia comprado raspa-raspa, reencontrei uma amiga de infância, que estudou comigo acho que em 1994. Vinte e dois anos atrás!

Estive pensando em como, atualmente, são os reencontros de pessoas que foram amigas há cerca de dez anos. Não são tão calorosos como antigamente... Não são como esse reencontro que vivenciei na última sexta-feira. São frios e com um ar desesperador de reencontro indesejado. A gente mal vê a pessoa de longe e já quer se esconder. POR QUE?! Que mal tem em reencontrar alguém?

Descobri. Ou pelo menos acho. O problema é o orgulho excessivo em perdoar-se, perdoar o outro e pedir perdão por erros cometidos durante o tempo da convivência. Quanto à amiga que reencontrei depois de mais de vinte anos... Foi desnecessária a quebra de qualquer barreira de orgulho simplesmente porque tal barreira nunca houve entre nós. O afastamento se deu na infância, sem culpa, por questões externas a nós duas.

Mas e quando não é assim que acontece? E quando a convivência perde a periodicidade motivada por rupturas? Às vezes rupturas tais vistas apenas por uma das partes de tal relacionamento, na qual a outra pessoa fica sem entender o porque do afastamento, mas que, por orgulho ou sei lá o quê, não busca a reaproximação. O orgulho já está tão impregnado em nós, que não queremos assumir, não é?! Mas é por orgulho mesmo.

Esse texto me cansou e mesmo percebendo que ele precisa de uma conclusão, quero encerrar por aqui. A minha mente cansou de pensar com a alma e eu não sei onde elas se misturam e se separam. Finalizo te aconselhando a não permitir que a sua vida fique assim, tudo meio bosta.

Fica ao leitor a reflexão:
  • Por que afastamos as pessoas? 
  • Por que temos sido tão orgulhosos?
  • Por que é tão difícil assumir o nosso orgulho?
  • Por que a vida ficou tão complicada, sendo que ela é tão simples?
  • Que mal tem em reencontrar alguém?
  • Qual é a SUA essência?

SP¹ Síndrome do Pânico 

18/07/16


Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Parabéns

Parabéns pra você que luta pra realizar os seus sonhos passando noites sem dormir, só à base de cafeína, seja na dor de dente, na gripe, na chikungunya, conjuntivite, cirurgias, lutos, dificuldade financeira para custear cursos, viagens... Entre várias coisas.

Mas parabéns principalmente pra quem não fica o tempo inteiro enchendo o saco de quem tá todo dia acordando com a mente condicionada como se "férias" fosse algo inexistente nessa vida, nessa terra:
PRECISO CUMPRIR AS METAS
PRECISO REALIZAR
TENHO QUE CONSEGUIR
TEM QUE DAR CERTO DESSA VEZ...

Se você acha bonito ouvir falar de alguém que VENCEU algo ou que REALIZOU algo, FAÇA-ME O FAVOR de não ser alguém que DESESTIMULA. 

Se você está lendo isso agora e pensando "poxa, é isso mesmo, que texto bafônico", examine-se a si mesmo e pense: "será que eu sou um estimulador apenas em palavras, mas não em atitudes?" Porque SIM, há muita gente pra dizer: 

VAI DAR CERTO
VOCÊ VAI CONSEGUIR
CONTE COMIGO, ESTOU AQUI

Mas poucos ou incontáveis são os que vão AGIR para dar certo, para você conseguir, estar com você.

Então FAÇA-ME O FAVOR de não ser essa pessoa que não age colocando para trás. Se você não pode ou não quer colocar para frente, não coloque para trás. Use essa sua força pra que você mesmo vá para a frente... E deixa de encher o saco de quem está, com muita dificuldade (sim, muita, mesmo que você não veja ou não aceite isso), lutando para cumprir prazos; metas; sonhos.

Se você tem mesmo, com sinceridade, vontade de não ser um desestimulador, mas não sabe como não ser, te aconselho a perguntar as pessoas: como posso te ajudar? Respeite as respostas mesmo que não as aceite. Caso ouça respostas que aceite, articule alternativas; planeje; concilie sua agenda de horários com a de tal pessoa; aja. Quem ajuda só com palavras sem ação é livro de auto-ajuda, e mesmo assim ele diz: AJA. 

Se você quer mesmo ajudar, mas realmente não tem como, além de apenas orar (sim, isso é muito importante, independente da sua religião), então faça isso. ORE! TORÇA! Demonstre esperança, fé, motivação, ânimo. MAS NÃO DESESTIMULE!

Não tenho mais o que falar (por enquanto)! Qualquer coisa além disso seria indireta, então melhor parar aqui, porque se for pra usar minha rede social para escrever indiretas, passarei o dia inteiro GASTANDO muito mal o meu PRECIOSO tempo, que deve ser usado EXCLUSIVAMENTE para coisas GRANDIOSAS e PRECIOSAS. Pode não parecer, mas até aqui é isso que esse texto é, precioso. Porque te trás um alerta. 

Sem mais,
Aline Menezes 

PS.: Eu preciso imprimir isso e colocar na parede do meu quarto, pra ler constantemente e tentar não ser essa pessoa. Não serei hipócrita de achar que o problema do mundo está apenas nos outros. Está primeiramente em mim e eu sou a ÚNICA pessoa que EU consigo mudar. Sim, eu já fui essa pessoa que desestimula e talvez ainda seja, mas não quero mais ser.

"Mude-se a si mesmo, sempre, para uma versão melhor. Cada AMANHÃ é uma oportunidade de fazer o HOJE ser melhor que o ONTEM. Desembrulhe o PRESENTE." (Aline Menezes)

~
13/07/2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sozinha X Solitária


Há cerca de uma semana, sexta passada, pra ser mais exata, fui a um aniversário em um restaurante do shopping. Fui e voltei com uma amiga que também havia sido convidada. Foi maravilhoso. Tanto o evento em si como a companhia da aniversariante, mas o bom mesmo foi a companhia da tal amiga que foi comigo. Não simplesmente por ser quem é, por ser uma pessoa agradável; divertida; confidente; paciente... Mas por ser companheira; amiga.

Aline, escritora, 27 anos. Desses 27, muitos anos foram de solidão. Tipo solidão mesmo, sabe?! As pessoas confundem muito os conceitos de solidão com o de "ser sozinha" e acho que a vida foi quem melhor me ensinou a diferenciar. Já fui sozinha e solitária; já fui solitária sem estar sozinha; e hoje sou apenas sozinha, sem solidão, porque aprendi a viver com a minha própria companhia.

Há várias semanas venho tendo ideias geniais de crônicas que estão acontecendo dentro da minha mente, dado há algumas situações chatas que tenho vivido (e outras nem tão chatas assim, mas que levaram-me à reflexão.) ou visto pelos meios de comunicação. Por "n" motivos não escrevi tais textos, mas hoje não deu mais para evitar. A ESCRITA GRITA DE MIM. Eu quero ter o direito, a liberdade, de viver sem dar qualquer satisfação da minha vida e, no entanto, quero escrevê-la, comentá-la, refleti-la com meus leitores. Sim, refletir. Porque sei que a minha vida só eu vivo, mas os fatos isolados são vivenciados de diferentes maneiras por várias pessoas no mundo.

Sem mais arrodeios, preciso hoje gritar muito e alto, urgentemente, sobre essa necessidade pré-estabelecida socialmente de que eu tenha sempre uma companhia masculina a apresentar.

Eu tenho muito o que falar sobre isso hoje, sabe?! E posso até ser mal interpretada, vista como uma amargurada, mas não ligo. Se eu fosse mesmo falar tudo o que foi acumulado na minha mente sobre esse assunto nos últimos dias, talvez escrevesse um livro sobre tal. O que venho questionar com esse texto não é o meu estado civil, mas a situação que tanta gente, sobretudo as mulheres, passam.

Eu gostaria mesmo é de exemplar contando o que vi, vivi e ouvi. Eu gostaria mesmo de resumir. Mas e tem como? Não. Então sinto informar que nos próximos dias irei gritar as palavras que estão presas entre a minha mente, alma e as mãos que digitam/escrevem.

A sociedade precisa aprender a lhe dar com os solteiros. E os solteiros precisam aprender que isso não é o fim do mundo e motivo para drama Facebookiano ou lágrimas ao fim de um romance cliché na sessão econômica do cinema ou na noite da sexta-feira. É uma via de mão dupla. São dois times numa eterna briga. Os solteiros que acham que ser sozinho é sinônimo de solidão X outras pessoas que acham a mesma coisa e não sabem lhe dar com isso.

Gente, vamos parar. Ok?! 
Gracias. 
Xêro da tia Lili pr'ocês :*

PS.1: Pretendo escrever a continuação com os exemplos REAIS.
PS.2: Estava morreeeendo de saudades de escrever textos assim.

--> Próximos textos seguindo o mesmo assunto:
* A necessidade de companhia 
* Qual é o meu tipo?

Escrito em 08/07/2016, sexta-feira, em minha página pessoal do Facebook.


Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

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